| Orgonoterapia com Crianças: sua forma lúdica de utilização | ||
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Rosimery da Silva Lopes |
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| Trabalho
apresentado no Encontro de Psicoterapia Somática - Cem Anos de Wilhelm
Reich, em 5 e 6 de setembro de 1997, na Universidade Santa Úrsula
- Rio de Janeiro
O objetivo consiste em preservar a expressão natural do movimento energético da criança e restabelecer a espontaneidade emocional perdida devido às inibições do meio social. Essa concepção cumpre uma função preventiva, já que a infância é uma etapa do desenvolvimento, onde os impulsos instintivos podem ser impedidos de serem expressos. Isso, promove o encouraçamento desde a mais tenra idade, se incorporando ao EU biológico havendo uma diminuição da carga energética dos impulsos e redução da capacidade vibrante de viver, estruturando assim o caráter de forma neurótica. Ao orgonoterapeuta, são necessárias as seguintes características: conhecer o funcionamento energético do ser humano, e sua manifestação emocional de acordo com a etapa do desenvolvimento da criança, segundo a orgonomia; ser afetuoso e capaz de buscar uma linguagem comum que propicie o estabelecimento da relação transferencial. Para isso, o brincar é um método fundamental. Sendo assim, é necessário que o orgonoterapeuta apresente mobilidade caracterial e capacidade de contato corporal para acompanhar a movimentação energética da criança durante a brincadeira. O orgonoterapeuta que está livre para ser brincalhão, facilita o brincar da criança. É importante estar sensível a perceber as emoções bloqueadas no corpo da criança, o momento e a forma adequada de tocá-las, utilizando, às vezes, o próprio corpo para expressá-las. Essa conjunção entre a sensibilidade de perceber e tocar, com a criatividade do orgonoterapeuta, determina a escolha da brincadeira no trabalho terapêutico. Com relação aos procedimentos técnicos, inicialmente é fundamental delimitar para os pais o papel de orgonoterapeuta da criança, das seguintes maneiras: É importante cuidar para não interpretar os pais, pois isso dilui a relação transferencial da criança e estimula a transferência dos pais com o orgonoterapeuta, produzindo rivalidade entre pais e filho, já que esse último é que recebe o tratamento. A essa rivalidade, soma-se um sentimento em relação ao orgonoterapeuta, como se ele roubasse o afeto de seu filho, e ainda emenda o que eles , pais, tenham feito de "mal" ou "errado". Por isso, a importância de não interpretá-los. Outro aspecto fundamental é evitar o aconselhamento aos pais para que o orgonoterapeuta não ocupe o lugar de figura persecutória que os orienta a mudar uma situação real impossível de ser transformada sem a elaboração psicológica de suas atitudes envolvidas, fazendo com que se sintam incapazes. Todos esses fatores citados acima, somado à culpa que vivem devido ao sintoma apresentado pelo filho, podem ser canalizados ao tratamento da criança sob forma de agressão, dificultando-o e/ou provocando sua interrupção. Somente a partir da transformação da própria criança, é que essa requisitará mudança no comportamento dos pais. Aí, é o momento de conversar com eles, caso apresentem dificuldade e/ou resistência à demanda do filho. Nesse caso, pode-se conscientizá-los das atitudes em questão e investigar com eles suas possibilidades de suprir as necessidades da criança. Por exemplo, quando a criança precisa ser tocada para aliviar tensões agudas, em momentos que não há acesso ao orgonoterapeuta, é importante que os pais já tenham recebido do orgonoterapeuta noções sobre como tocá-la. Enfim, mas a contribuição fundamental dos pais ao tratamento do filho, é levá-lo às sessões. Isso deve ser demarcado e ressaltado para eles, como a principal ajuda ao tratamento do filho. Assim, cada um ocupa seu respectivo lugar, e alivia-se a culpa dos pais diante das dificuldades do filho. Em se tratando da criança, os procedimentos técnicos são os seguintes: o tratamento orgonoterapêutico com a criança consiste primordialmente, em descobrir o meio de comunicação com ela. Nesse caminhar, é que se apresenta o brincar. Onde a criança expõe sua realidade subjetiva, criando situações imaginárias a partir dos objetos da realidade externa. Na orgonoterapia, o orgonoterapeuta é o mediador desse interjogo entre a vida psíquica e a relação com os objetos reais, ocupando, por vezes, o lugar desse objeto no qual a criança projeta seus medos e angústias. Assim se trabalha na relação transferencial estabelecida através do brincar, onde o brinquedo só é introduzido enquanto demanda dessa relação. Desse modo, o orgonoterapeuta precisa se colocar receptivo e livre para se entregar às brincadeiras. Sendo inadequado organizá-las, pois isso previne o aspecto do descobrimento que há no brincar, já que é importante que a criança surpreenda a si mesma. Essa organização da brincadeira, cria um estado de submissão para a criança retirando o sentido criativo e espontâneo inerente ao brincar. Esse aspecto da espontaneidade de expressão emocional pode ser trabalhado através da imitação. Por exemplo, quando a criança expressa medo através de seus olhos assustados, imita-se essa expressão junto com gritos, brincando de dar susto no pique-esconde. Gradativamente ela vai tomando contato com o medo e os motivos do mesmo. Desbloqueia-se o segmento ocular e recupera-se a capacidade natural de expressar, o que exige do orgonoterapeuta habilidade no contato com a criança, e criatividade em adaptar o objetivo terapêutico à brincadeira, de acordo com a etapa do desenvolvimento da criança. Ao trabalhar a transferência negativa , pode-se por exemplo: brincar de imitar um cachorro e propor que morda uma toalhinha; brincar de fazer caretas ou jogar almofadas. Mostrando como manifesta e se defende de exprimir a raiva, conectando com seus motivos. Mas, sempre focando inicialmente, as expressões de raiva que se apresentam na superfície da conduta da criança. Fazendo-a perceber, desse modo , que o desprezo e o sadismo, são mais comuns de serem demonstrados na vida social do que a agressividade natural. Essa diferenciação deve ser clarificada para a criança, ajudando-a restabelecer a capacidade agressiva enquanto defesa biológica, e também esclarecendo sobre as possíveis dificuldades da agressividade ser aceita socialmente. Dessa maneira, previne-se, também, a reincidência do encouraçamento, tendo essa clarificação, o papel de prevenir a neurose e promover a saúde. Aspecto característico da orgonoterapia com criança. A massagem reichiana também pode ser utilizada de forma lúdica. Brincando por exemplo, de fazer "massa de pizza". Funciona como carícias, para crianças que apresentam medo de serem tocadas, desfazendo tensões e possibilitando o contato afetivo. O toque através da brincadeira de fazer cócegas, também desencouraça, pois desorganiza o controle das emoções, provoca risos, afrouxando os segmentos oral e diafragmático. As intervenções seguem a direção das emoções desde a superfície do encouraçamento a níveis mais profundos. Analisando as formas de expressão neurótica. Seja através de jogos, desenhos ou de contos de fada criados juntos à imaginação da criança. Por exemplo: se ela traz uma boneca para a sessão e mostra as posições em que é capaz de colocá-la, como forma de retratar que se sente manipulada, pode-se inventar uma estorinha, onde fale do sofrimento das crianças que são tratadas como se fossem bonecas, sem sentimento e vontade própria. Essa abordagem estimula a criança a perceber seus sentimentos, e elicia sua manifestação. A medida que se transpõem as defesas, amplia-se a capacidade de expressão e de sensações de prazer, que são promovidas pelo interjogo do aprender a vivenciá-lo durante as sessões, e experimentá-lo em outros espaços e relações de seu mundo. E quando os pais não suportam a expansão emocional da criança, é importante esclarecer para ela (a criança ), que isso não a torna incapaz de expressar-se. Esse retorno sobre sua possibilidade, a fortalece, tornando-a confiante em seus próprios sentimentos para lidar com as situações da vida. |
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