Saúde, um Prisma ou a Luta pela Própria Humanidade
 
Humbertho Oliveira
 

Palestra proferida no seminário "Viver, um Movimento de Arte", realizado porVita Clínica de Psicoterapia, no Rio de Janeiro, em setembro de 1994.

História da Revelação

E dizem que Deus, para não ficar sozinho, criou o Universo e os Seres num Ato de Amor! E O fez num Boom Primordial de partículas que, expandindo-se no tempo-atemporal e no espaço-sem-limite, tornaram-se Matérias Inteligentes, espalhando-se e concentrando-se até que surgissem os Sóis e os Mundos. E, de quebra, fez a Terra.

No início, "a Terra era sem forma e vazia, e havia trevas sobre a face do abismo" (1). Calores e esfriamentos, metais sobre metais, gases e líquidos interagiram, possibilitando o surgimento do Mar Primordial; e nele, um Ser Primeiro, um universo concentrado num limite de vida, fundamentou-se numa membrana e em movimentos de contração e expansão,implicando rompimentos e reproduções. Radiações geraram transformações das Unicelularidades em Multicelularidades, organizando pequenos Seres \ Deuses em constantes e constantes formações.

E assim, Formas foram construindo Formas, desorganizando-se e reorganizando-se continuamente, expressando-se em múltiplos Eventos Vivos que caminharam desde a singularidade até a organização, em camadas de existência cada vez maiores e mais complexas(2). Dos Seres Primitivos aos Primitivos Vegetais Marinhos, dos Primevos Animais Marinhos até os Antigos Vegetais Terrestres,dos Primeiros Animais Marinhos aos Animais Terrestres, revoluções e reconsiderações, acasos divinos, determinaram as estruturas do universo biológico. Construções arquetípicas em memórias trans-evolutivas que passaram do caos à ordem e, desmanchando-se em outros pequenos caos, geraram novas ordens, novos "Rácio-símios", o Homo-sapiens.

Homo-sapiens. Esse organismo planetário,essa série de fatos vivos, interligados para criar complexidade, esse processo vivo, organizacional, que sente e reflete sobre sua própria continuidade e forma, Homo-sapiens(2).
Homens/Mulheres que, organizando-se em tribos fizeram-se xamãs, chefes e guerreiras; que produzindo o socius,inventaram-se heróis,deusas,justiceiros; e que estabelecendo a família projetaram-se sacerdotisas, médicos e legisladores. Mulheres/Homens, totem da humanidade, frutos e sementes de seu próprio instinto de conhecimento,gravitaram em torno da idéia de que a Terra não era o centro do universo e, sim, mais um astro de uma incomensurável constelação; que precisaram supor que o universo era instável e, portanto, mutante, e para sempre mutante. Homens/Mulheres que amargaram a visão da sua proximidade evolutiva com os animais, tombando-se em comparações minuciosas; e que sonharam, até mesmo, que seu próprio comportamento era a voz de um inconsciente nunca completamente conhecido, necessitado de perene revelação.

Corpus-inconscientis

Revelamo-nos seres governados por nossos próprios instintos de vida e de morte; seres que, através de uma psicopatologia da vida cotidiana, expressão do drama da criação da nossa própria história, existenciamos a própria espécie. E, construtores de uma medicina da alma, para dar conta do próprio Ato Original e da nossa própria definição, previmos que nossa trajetória passaria pelo terreno profundamente interativo, o campo em que a vitória deve ser conquistada, em encontro que prestasse o inestimável serviço de atualizar e manifestar as forças amorosas, sepultadas e esquecidas.

...E dissemos: há que se curar o Homem,religá-lo constantemente ao Ato Original de Amor, e remetê-lo, continuamente, da inibição ao vínculo até o encontro de corpos. E para isso, falamos para quem pudesse ouvir: "se você não conhece o oceano, você está simplesmente perdido, não importa quem você seja. Você pode ver o oceano como um espelho somente se você tem medo de se afogar nas suas profundezas, mas você nunca pode deixar de fazer parte do oceano, de emergir de suas profundezas e retornar à sua calmaria. E ao vir e ao retornar do Oceano, traz com você a profundidade dele: não uma pequena porção de profundidade, se a compararmos com a imensa profundidade do oceano" (3).

...E mergulhando, descobrimos que tudo se passa no somático e para além do somático, no psíquico e para além do psíquico. Tudo se passa através de uma espécie de energia,a base da vida;uma energia primordial que preenche todo o espaço e é a fonte da qual todas as formas foram derivadas; uma energia vital que é idêntica a dos organismos humanos; uma energia que comanda tanto o domínio do psíquico quanto o do somático; uma unidade funcional básica; um centro de experiência (4).

...E pretendemos que o potencial orgástico, que envolve a potencialidade do organismo inteiro nas convulsões (caóticas) do prazer, representasse o intensivo pleno do amor, a base de uma desejada saúde, cuja força desenvolve-se em oposição à impotência orgástica ou, simplesmente à impossibilidade de amar. E partimos para "a busca da experiência comum do gozo supremo pela fusão completa de dois sistemas de energia vibrantes" e, sobre "esta busca, assim como a procura mútua e silenciosa do caminho até as sensações e vibrações cósmicas do ser amado", soubemos que eram "prazeres supremos, límpidos como a água do riacho, deliciosos como um perfume de uma flor na manhã de primavera. Esta experiência calorosa e durável do amor, do contato e do abandono recíproco, do prazer dos corpos" tornou-se, então, para nós, buscantes, "uma servidão perfeitamente digna" (3).

Ainda por ser humano

Do universo biológico ao oceano cósmico, deuses e seres continuam associando-se para a perene construção de uma nova Existência. E assim é na formação de uma nova Pessoa, onde uma célula germinativa, presente nas entranhas paternas, solta-se para fluir livremente. Então, acontecimentos extremamente eletrizantes e comoventes criam fenômenos explosivos e definitivos. Folículo maduro estourando, expelindo o óvulo e túbulos empurrando o líquido seminal disparam o ritual da busca de uma nova humanidade, humanidade esta que, embora já presente em cada movimento gestante, faz-se misteriosamente distante e procurada.

Na formação de uma nova Pessoa, o espermatozóide e o óvulo, mundos microscópicos, seguem uma determinação contumaz e locomovem-se um em direção ao outro. O óvulo, fora do ovário, é impulsionado por ondas peristálticas, pelas fímbrias da trompa, navegando o seu destino. Trezentos milhões de espermatozóides se empurram, nadando vigorosamente contra uma corrente de moléculas, gravidades e obstáculos, premeditando uma possibilidade.

Uma verdadeira torrente, um rio mucoso faz desses heróicos espermatozóides, seres sempre renovados no apetite de ir adiante. As substâncias em volta estimulam a corrida e criam efeitos atrativos na direção do óvulo. Um deles fará contato primeiro com o óvulo, gerando uma série de modificações em sua estrutura; e, ao mesmo tempo, o óvulo reorganiza-se para permitir, através de uma membrana agora mais permeável, a penetração desse Ser em seu conteúdo interno, um mundo de viabilidades.

É a nova Pessoa. Zigoto,única,inteira, globosa, existência/projeto. É um vir-a-ser humano...

...Que segue querendo-se tal como
"Sargon veio ao mundo .................. concebido na
em local secreto ....................... cavidade uterina
Sua mãe, a vestal,
depositou-me num barco
feito de junco ......................... zona pelúcida
Selou a porta com breu
e lançou-me
ao rio ................................. cavidade uterina
que não me afogou ...................... as secreções da cavidade
uterina, que nutrem ou
fazem definhar" (5).

Como eu,
Multiplicar-me para crescer
sem desfazer-me.

Como aquele que
"o rio levou-o
até AKKI, o aguadeiro,
que o acolheu .......................... adoção pelo endométrio
na sua bondade
e o fez jardineiro ..................... início do implante
embrião coriônico
e depois rei ............................ feto maduro" (5).

Como ele, na "história sem fim", afundado em
"Imagens de areia movediça, de vulnerabilidade
(através da perda da zona pelúcida):
após todas as possíveis
tempestades, ventos, risco de naufrágio,
afogamento, a experiência de fragmentar-se
dilacerar-se, a adoção pelo útero" (5).

Como você, num
"leito de púrpura, alegria, ou campo de batalha
o molde original de toda recepção,
entrar impulsionando-se a si mesmo ou
empurrado,
abrir caminho lutando, ou ser acolhido
com beijo de amor recíproco" (5).

Como alguém que diz:
"Sinto-me como uma esponja. Uma criatura de águas profundas,
como uma anêmona, estou permeado de terror
embebido de medo
uma esponja aterrorizada
estou indefeso
não posso me mover ....................... não faz sentido
escapar
fugindo
falando
tremo da cabeça aos pés" (5).

Como as
Determinações: buracos de entrada, buracos de saída.
Urgência compassada e
Linhas de ação.
Eixo.
Criar espaços, dobrar-se sobre si-mesmo.
Bomba de propulsão: coração, coração!
Meu-eu-primeiro-órgão.

Como
Uma ponta com a outra;
Um lado com o outro.
Olhos: veja.
Braços: tocar?
Pés: caminhos!
Cabeça, pescoço, tronco,
Ouvido, nariz, boca,
Mamilos, genitais,
Órgãos, órgãos, grãos.

Como num
Descanso! Só crescer...
Sete meses. Só crescer...

Como num sono,
Sonho e sinto, e
Mexo e sonho.

Como no estado em que
"...ele ouviu, de repente, barulhos vindos do mundo exterior. Ecoavam de uma maneira estranha, como se estivessem ressoando numa sala enorme ou passando através de uma camada de água. (...) Tentou identificar o local de onde vinham os sons e o que os estava produzindo. Um pouco depois pôde reconhecer vozes humanas rindo e gritando, além de sons que pareciam trompetes de carnaval. De repente, veio-lhe a idéia de que aquilo deveria ser a festa que acontece todo ano, dois dias antes de seu aniversário"(6).

É. Para ser humano há que se ter um "processo formativo num campo organizacional", uma autoconstrução na interação. Há que se ter "campos mórficos organizadores do desenvolvimento e mantenedores da forma dos sistemas em todos os níveis de complexidade". Há que se ter acontecimentos no Campo do Amor onde se forma e se é formado (7).

...E, ainda assim, é preciso nascer e, portanto, "...O Calvário vai começar. (...) O espaço, antes sem fronteiras, torna-se dia a dia mais estreito. (...) E, um belo dia, o bebê se percebe numa prisão. (...) Luta, protesta. (...) A criança o aceita. (...) Um dia, a prisão se anima (...), ela começa a esmagá-lo, a apertá-lo (...), passado o terror inicial, a criança se habitua às contrações. (...) E se agita de prazer com o jogo voluptuoso. (...) Até que um dia... mais uma vez, tudo muda.(...)A prisão torna-se louca e parece querer o fim do prisioneiro.(...) Com o coração batendo quase a ponto de se romper, o bebê se lança nesse inferno. (...) O fim certamente está próximo. (...)

Então (...).
O universo estoura. (...)
O vazio! (...)
Liberdade intolerável. (...)
Só, não sou nada senão vertigem.
Retoma-me! Abriga-me. Esmaga-me, aperta-me, destrói-me.
Mas que eu seja" (8).

Caminhando o por-vir da Humanidade

É sempre preciso nascer. Nascer e ser. E mais, mais que nascer... Nascer não é o bastante. É preciso nascer de novo. É preciso nascer de novo, já que é possível ter nascido, crescido, envelhecido e, ainda assim, não ter "nascido". Mas para continuarmos nascendo, precisamos, para sempre, de uma voz... Uma voz bem Humana que nos lembre...

É possível

- uma respiração regular e rítmica, com movimentos livres e fáceis do tórax;

- uma peristalse abdominal nem espástica nem flácida, com uma sensação de bem-estar; - um organismo em estado de bom tônus; os músculos movendo-se por entre estados de tensão e relaxamento, nem rígidos nem colapsados; a pressão sanguínea normal e o pulso venoso nas pernas funcionando bem;

- a pele quente, com um bom suprimento sanguíneo; a face vivaz e móvel; a voz expressiva e, não, mecânica; os olhos comunicativos e luminosos;

- no orgasmo, uma pulsação rítmica involuntária, gratificante, e um sentimento de amor para com o parceiro: sentimentos sexuais e afetivos sentidos conjuntamente.

É possível:

- relacionar expressões externas e necessidades internas, e funcionar a partir de necessidades vitais primárias, distinguindo-as de hábitos secundários;

- fazer contato com outras pessoas, sem idealizações, e distinguir contatos genuínos de contatos substitutivos, valorizando e cultivando os primeiros;

- conter e expressar sentimentos, e tomar decisões em relação a quando realizar cada um deles;

- estar livre de ansiedades, quando não existir o perigo;

- defender o que acredita ser o certo, mesmo quando existir o perigo.

É possível:

- o contato com fontes pessoais profundas de valores que transmitam uma sensação de movimento e sentido;

- lidar com crises, sem ser dominado pelo desespero;

- sentir o sentimento da vida como um processo de respeito pelo próprio coração e pelo coração dos outros num eterno aprofundar;

- estar livre de culpas e disponível para encarar responsabilidades reais. (9)

É possível sim,

- cantar para a própria vida como o poeta cantou para a mulher amada: "que seja eterno enquanto dure" (10).

E se formos além?
Seria para saber que:

- "Deus existe mesmo quando não há. Mas o demônio não precisa de existir para haver - a gente sabendo que ele não existe, aí é que ele toma conta de tudo. Deus vem, guia a gente por uma légua, depois larga" (11);

- "a gente vive, (eu acho), é mesmo para se desiludir e desmisturar" (11);

- a gente vive, é mesmo para se gestar, e em cada morte; porque "tudo passa, nada permanece; apegar-se, portanto, à realidade ordinária é como correr atrás de nossa própria sombra e o que nos resta, então, é encarar cada momento e penetrar no olho do furacão, pois só assim colheremos a semente da tranformação" (12);

- a gente vive, é mesmo para zombar da própria existência e ser zombado por ela;

- a gente vive, é mesmo para se encontrar com uma essência, em nós, que se esconde constantemente de nós mesmos;

- a gente vive, é mesmo "um sonho que ao acordar, depois da morte, teremos um alívio, por ter sido só um sonho"(13);

- a gente tem mesmo é que viver por aí...

...E ter que viver por aí é poder transcender, de verdade, ouvindo, com a alma, a história que diz:

" (...)havia um rei que mandou anunciar por toda parte que daria a maior e mais bela festa de seu reino. Entretanto, os convidados começaram a perceber que a arte da mesa não estava representada em parte alguma. A festa não parava de esforçar-se para atingir o auge, oferecendo uma profusão de músicos maravilhosos e excelentes dançarinos. Depois foram distribuídos presentes, mas nenhum deles era comestível. Finalmente, o rei convidou seus hóspedes a passarem para uma sala especial, onde uma refeição os aguardava. Todos correram em direção ao delicioso aroma de uma sopa que estava num enorme caldeirão no centro da mesa. Os convidados quiseram servir-se, mas grande foi sua surpresa ao descobrirem, no caldeirão, enormes colheres de metal , com mais de um metro de comprimento. E nenhum prato, nenhuma tigela, nenhuma colher de formato mais acessível. Os cabos desmesurados não permitiam que o braço levasse à boca a beberagem suculenta, porque não se podiam segurar as escaldadas colheres a não ser por uma pequena haste de madeira em suas extremidades. Desesperados, todos tentavam comer, sem resultado. Até que um dos convidados encontrou a solução: sempre segurando a colher pela haste situada em sua extremidade, levou-a à boca de seu vizinho, que pôde comer à vontade. Todos o imitaram e se saciaram, compreendendo enfim que a única forma de alimentar-se, naquele palácio magnífico, era um servindo ao outro "(14).

...E aí, quem sabe, para sempre, fraternar...


Referências Bibliográficas

1 - Citação bíblica, do livro Gênesis, editado no Rio de Janeiro, pela Imprensa Bíblica Brasileira,
em l990, na sua 5a. impressão, no capítulo 1/ versículo 2.

2 - KELEMAN, Stanley: Anatomia Emocional. São Paulo: Summus, 1992, 1a. ed., cap. 1.

3 - REICH, Wilhelm: O Assassinato de Cristo. São Paulo: Martins Fontes, 1986, 3a. ed., caps III e VII.

4 - OLIVEIRA, Humbertho. "Psicoterapia Corporal: uma abordagem da unidade
funcional do organismo humano", Presença - Revista Vita de Gestalt-Terapia.
Rio de Janeiro: Vita Clínica de Psicoterapia, dezembro de 1995, ano 1,
número 1, p. 63.

5 - LAING, Ronald: Fatos da Vida. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1982,
1a. ed., cap. 5.

6 - GROF, Stanislaf: citado em Correntes da Vida - Uma Introdução à
Biossíntese. São Paulo: Summus, 1992, 1a. edição, cap.3.

7 - SHELDRAKE, Rupert: A New Science of Life - The Hyphothesis of Formative
Causation. Los Angeles: Jeremy P. Tarcher, 1987, 1a. edição, cap. 3.

8 - LEBOYER, Frédérick: Nascer Sorrindo. São Paulo: Editora Brasiliense,
1974, 1a. ed., caps. 16, 17 e 18.

9 - BOADELLA, David: "What`s Biosynthesis?", Energy and Character -
The Journal of Biosynthesis. London: Abbostbury Publications, agosto de
l986, volume 17.2, cap. 2.

10 - MORAES, Vinícius: "Soneto da Fidelidade", Poesia Completa e Prosa.
Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1983.

11 - RAMOS, Graciliano: extraído do livro Grande Sertão-Veredas, citado
no Caderno de Idéias do Jornal do Brasil, em artigo de Leo Schlafman,
no Rio de Janeiro, em 03/09/94.

12 - HERTELENDY, Susana e OLIVEIRA, Humbertho: documento de divulgação
do Trabalho Terapêutico Intensivo - Impermanência e Transformação,
realizado no Rio de Janeiro, em fevereiro de 1994.

13 - TULKU, Chagdud: palestra pública, no Rio de Janeiro, em
agosto de 1994.

14 - Resumo da história "As Longas Colheres", publicada no livro
Histórias da Tradição Sufi, organizado pelo Grupo Granada de Contadores
de Histórias, no Rio de Janeiro, editado pelas Edições Dervish, em 1993.


HUMBERTHO DE OLIVEIRA, Médico, Psicoterapeuta Somático,
Fundador e Coordenador do Grupo Quiron - Centro de Estudos e Práticas Transomáticas,
Psicoterapeuta da Associação de Apoio à Criança com Câncer.

 
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