Workshop das Sombras *
 

Um depoimento

Susana Hertelendy

 

O Workshop das Sombras, desde o início, despertou tanto meu interesse quanto a curiosidade. Em primeiro lugar, por se basear em conceitos junguianos já que além da sombra, traria consigo uma concentração em 4 arquétipos. A seguir, meu desejo de participar cresceu quando conversei com uma colega, psicóloga como eu e com formação numa abordagem também corporal. Ela havia participado de pelo menos um trabalho e teceu muitos elogios tanto ao workshop em si como à coordenadora do mesmo. Com isso, surgiu a confiança junto com uma sensação de que isso era algo que, nesse momento da minha vida profissional e pessoal, também seria bem-vindo.

Inscrevi-me logo e fiquei ansiosa esperando pelo final de semana marcado para o trabalho. Primeira a chegar, fui recebida com carinho por Marie-Françoise. Conversamos um pouco, descobri que ela também havia feito um curso na abordagem Reichiana o que nos aproximou desde o início. Pouco depois, chegou uma participante que me contou que essa seria a segunda ou terceira vez que faria o workshop. Gostou tanto do trabalho que estava trazendo uma irmã.

De início, fiquei preocupada com o número de horas que estaríamos passando junto, mas essa preocupação foi se desfazendo. Fui percebendo o quanto era necessário ter tempo para o que íamos vivenciar. Na sexta-feira começamos às 16h. A primeira parte foi dedicada à teoria ou à explicação do que passaríamos, com a atenção voltada para os arquétipos que teriam um papel importante no desenrolar do trabalho. Aos poucos, começamos a participar das dinâmicas propostas pela Coordenadora. Tudo para mim era bastante familiar, pois trabalho de uma maneira parecida nas situações de grupo. Passamos por visualizações, exercícios em pares, trabalhos corporais. Era familiar, mas novo ao mesmo tempo e foi permitindo aos poucos a aproximação entre as pessoas e o crescimento da confiança para o que faríamos logo depois.

Assim, no segundo dia já começávamos a estar prontos para vivenciar processos pessoais. Tudo foi acontecendo de forma natural. É claro que tinhamos medo mas pudemos falar sobre isso e ter liberdade para participar, ou não, e mesmo de escolher o momento mais apropriada para cada um de nós.

Fazer parte dos processos das pessoas foi profundamente emocionante. É emocionante ser parte da vida, da experiência de alguém para ele ou ela poderem confrontar-se com uma questão e terem a oportunidade de elaborá-la num contexto que traz consigo proteção e acolhimento. É, além disso, um presente já que também nos permite manter contato com nossos próprios processos internos.

Após algumas participações em processos de outros, visualizei uma questão que queria encarar com mais clareza. Era algo que, ao longo de muitos anos de psicoterapia individual e de grupo, eu havia trabalhado, mas não da forma como se apresentava naquele momento. Em retrospectiva, acho que, pela primeira vez, não senti muita dificuldade com a decisão. Significaria me expor bastante. Era uma questão antiga, lá da minha infância e que eu percebia o quanto me havia acompanhado durante a vida toda. Senti-me pronta, naquele momento, e confiante o bastante nos meus colegas de workshop para me entregar ao processo e recebê-los como co-participantes.

Pode ter sido longo mas para mim durou o tempo exato que precisei para me expor, vivenciar os diferentes aspectos da questão e perceber a influência que ela teve em muitas áreas da minha vida. O resultado foi um sentimento de satisfação por estar realizando algo que eu nem sabia antes estar precisando fazer. Além disso, sobreveio uma imensa gratidão. Gratidão pela oportunidade de fazer um trabalho tão bonito, pela tranqüilidade, competência e firmeza com que a Marie-Françoise nos conduziu ao ponto de querermos nos entregar ao processo; gratidão pelo acolhimento e afeto de cada pessoa em cada momento; gratidão ao universo por ter me dado mais esse presente e, finalmente, gratidão a mim mesma por ter vivido algo tão plenamente.

Nesse momento, o que eu posso dizer é que essa foi a minha experiência pessoal e que ela se deve tanto ao fato de eu ter respeitado a atração imediata que senti ao tomar contato com o trabalho, quanto ao fato de eu ter tido, logo depois, a oportunidade de trocar idéias com alguém em quem confio para me informar mais sobre o mesmo a ponto de confirmar que era realmente algo que eu queria e para o qual estava preparada. E, para finalizar, acrescento que, ao consultar o meu coração, senti segurança e firmeza para embarcar nessa viagem. Por tudo que significou passar por essa experiência, me sinto plena e imensamente grata.

* Shadow Work

Coordenação: Marie-Françoise Rosat
Visite-nos na versão em português de nosso site em alemão www.schattenarbeit.de ou em inglês :  www.shadowwork.com

 
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