A Dimensão Espiritual do Meio Ambiente
 
Luiza Helena Nunes Ermel
 
Nas duas últimas décadas, o movimento ambientalista foi o grande responsável por trazer à tona o tema “meio-ambiente”, colocando-o no cenário mundial de discussão, fazendo a necessidade de preservar a natureza um anseio da população planetária.

São crianças, jovens e idosos, de todos os credos, raças e nacionalidades que, se indagadas pela premência de cuidar do meio ambiente, respondem afirmativamente conscientes de que, se não for cuidado, suas vidas também estarão ameaçadas.

É cada vez mais freqüente a manifestação de grupos a favor da preservação da água, do ar, da terra, como também é freqüente, a luta por uma vida mais saudável, associada ao sentido de “natural”.

Entretanto, nos intriga saber, porque, apesar de tamanha pressão dos ambientalistas, ainda os países, principalmente do Primeiro Mundo, continuam gastando energia e recursos naturais em prol de um processo de desenvolvimento centrado na primazia do econômico, dirigido pela tecnocracia, onde as condições de produção ainda prevalecem sobre as da dignidade do homem?

Para Pe. Josafá C. Siqueira “temos que promover uma revisão de nosso estilo pessoal e social de vida... Somente uma base teórica e prática da ética ambiental é que possibilitaria desenvolver novas relações concretas entre a natureza, o indivíduo e a sociedade.... É necessário criar, reaproveitar e readaptar novos padrões de consumo, libertando-nos dos que são ambientalmente danosos ao espaço sócio-ambiental”...

Mudanças radicais nas diversas dimensões do espaço ambiental já ocorrem, tanto na biológica, quanto social, cultural e econômica, entretanto de forma isolada, fragmentado. A diversidade apesar de rica e abundante, não se faz plena, por ausência de unidade, de sentido.

O resgate do sentido, do significado, reside na dimensão espiritual do meio-ambiente. É através da dimensão espiritual que se dá a integração do particular com o universal.

Afirmam Dorothy e Walter Schwarz: “A sobrevivência humana impõe uma consciência mais profunda do meio ambiente natural”... A consciência tem que ser espiritual, do contrário ainda estaria em questão um produto quantificável, chamado meio-ambiente, que é um segmento da vida, não a vida em si”....

O espiritual a que os autores se referem, “não se identifica com qualquer religião nem se limita ao crescimento religioso, abrange o intuitivo, o que escapa a medida, o estético, abrange a solicitude do amor”

Mesmo que nossa racionalidade nos permita tornar umas das dimensões do meio-ambiente como objeto de estudo, estaríamos equivocados se perdêssemos o sentido de a ele pertencer.

O sentido de pertencer nos faz conscientes de que não há distanciamento entre o nós e a natureza. A natureza somos nós, vivemos em comunhão com ela, por isto a amamos.

Neste sentido não basta cuidar, preservar, regenerar o meio-ambiente é necessário e, é fundamental viver em comunhão com ele e amá-lo.

Compartilhar com o meio-ambiente da nossa parte mais profunda e verdadeira, advinda do coração, toca algo que as palavras podem apontar, porém jamais expressam, pois aí reside a dimensão da espiritualidade.

Estas constantes viagens ao desconhecido, são aventuras do espírito, presentes no ciclo eterno vida-morte-renascimento.

Tal como no Ciclo da Páscoa, em que Jesus crucificado morre para ressuscitar, no ciclo da natureza, é necessário que a semente morra para dar vida à planta. Acreditamos que o planeta para sobreviver, solicita um projeto de resgate da dimensão espiritual do meio-ambiente.

Este projeto requer que as instituições e pessoas se organizem, considerando as necessidades espirituais e materiais. Isto não significa abolir a tecnologia mais subordiná-la, redescobrindo a função social própria do espiritual.

Luiza Helena Nunes Ermel - Assistente Social – Professora do Departamento de Serviço Social, disciplinas Desenvolvimento de Comunidade e Comunidade e Meio-Ambiente.

 
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