Sexualidade e Espiritualidade
 
Sandra Celano
 

Antes de iniciarmos esta tentativa de compreendermos a relação existente entre estes dois temas de fundamental importância em nossas vidas, peço que você se volte um pouquinho para dentro de seu universo interno, tentando sentir-se como um rio... Um rio que pode estar fluindo livremente... Ou estar correndo solto por algumas partes de seu corpo e se esconder em outras... Que pode encontrar grandes pedras pelo caminho, forçando-o a buscar desvios por onde correr mais fácil...Que pode ser um riachinho ou até mesmo bem caudaloso...Formar lagoas, represas, quem sabe?

Como seres cósmicos vivendo uma experiência de corporificação (encarnação ), que é esta nossa existência, para cá transferimos uma determinada carga energética, que está diretamente relacionada às crenças básicas que trazemos como alma. O grande e essencial objetivo desta viagem é aprendermos a AMAR. Como este mundo é , na sua estrutura intrínseca, constituído de vibrações, ou seja, tudo se movimenta, tudo flui e tudo se interconecta com tudo, passamos, já aqui, a funcionar como uma estação transmissora e receptora destas vibrações, mais ou menos como um rádio. As pessoas e situações com quem sintonizamos desde os primórdios da vida são aquelas que o nosso pequeno radar encontrou dentro deste universo vibracional que somos. Nossa co-responsabilidade em relação à evolução começa a nos mostrar, do lado de fora, naqueles que atraímos, pedacinhos de nós mesmos que precisamos re-integrar para nos tornarmos inteiros e a cada dia mais saudáveis.

É justamente aí que começam os grandes desafios do nosso caminhar. Como compreendermos nossos parceiros sexuais, por exemplo, diretamente relacionados à nossa evolução espiritual? E o que é evolução espiritual? Existe uma separação entre sexualidade e espiritualidade? Ou... onde é que as duas se encontram?
A abordagem energética é uma dentre tantas tentativas de compreendermos o universo das experiências humanas e que, segundo nossas observações clínicas, realmente ajuda a desvendarmos algumas chaves para a mudança pessoal e social, na direção de mais prazer e mais felicidade, que é o que, no fundo, interessa.

Viver feliz e saudável pode ser considerado como a maior contribuição que alguém pode dar à sociedade em que vive. Porque quem consegue isto, passa a funcionar como um sol, um átomo irradiante, que espalha, sem fronteiras, sua luz, seu calor, seu poder, sua força. E isto contagia! E como! Só que este empreendimento não chega de graça; implica um trabalho de libertar o "rio" em seu curso ( a carga energética ), em livrá-lo dos obstáculos, em encontrar formas existenciais que facilitem a liberação das forças que a alma organizou, aquela mesma carga energética da qual falamos no início deste artigo. Uma chave para isto é olharmos para as pessoas com quem convivemos, para o PADRÃO de relacionamentos que costumamos atrair, olharmos para aqueles que são uma pedra constante em nosso sapato, sejam eles da família biológica ou parte desta família de "mestres" que nos apontam, todos os dias, os núcleos energéticos cristalizados que negamos ver em nós.

Através dos parceiros ou parceiras sexuais, do quanto de dor ou de prazer que nossa vida afetiva tem nos trazido, do nível de desafios que a área dos nossos relacionamentos apresenta, podemos começar a nos dar conta da grande pergunta: o que esta pessoa em minha vida vem me ensinar? O que ela me mostra de mim mesmo, que eu não aceito ver? Que sentimentos meus estão nela projetados e que preciso reincorporar a minha consciência?

Dentro da visão vibracional de mundo, posso assegurar que você continuará ³ligado³ às mesmas situações ou a outras semelhantes, enquanto não resolver olhar para dentro de si e encarar as mesmas dificuldades emocionais que vê no outro, ou seja, fora de você. Esta é uma das funções dos relacionamentos - ajudar-nos a nos tornarmos inteiros.

Ao iniciar este trabalho de aprender a amar a si mesmo através da integração das partes negadas, você inicia também, conscientemente, a tarefa de se auto curar, de se auto libertar, à medida que solta o potencial energético - a carga que trouxe para esta vida. Isto é manifestar-se; é expressar o potencial; é tornar-se mais inteiro e mais harmônico, pela simples alegria de desabrochar a si mesmo, ainda que remando contra a maré que os condicionamentos e as pressões familiares e sociais representam.

A relação direta que este processo tem com a sexualidade, é que quanto mais leve, liberto, amoroso, enraizado na terra e conectado ao céu, você vai podendo ficar, ou seja, quanto menos bloqueado o fluxo natural de seu potencial, mais cresce gradativamente sua capacidade de encontrar o outro a partir de um centro verdadeiro. Seu sol central, núcleo irradiador de vida e de real interconexão com tudo e com todos, lhe possibilita, pouco a pouco, transcender os níveis de prazer que tem tido até agora pois o medo da entrega ao universo da felicidade diminui, passando a fazer parte de suas novas crenças. É possível ser feliz aqui! E é mesmo nosso dever, nossa melhor contribuição política nestes tempos de mudança. Esta é a base da Ecologia Profunda.

O orgasmo verdadeiro é quando não somente nossas células físicas encontram o outro, mas quando, além disto, podemos também tocar-lhe a alma e o coração o que, em si mesmo, representa uma doação, um serviço a todos que, ao redor de nós, passam a compartilhar do brilho de nossos olhos, da irradiação de nosso entusiasmo cheio de cores e perfumes, neste mundo ainda tão cheio de sofrimento e dor. O enraizar, o ancorar de nossa espiritualidade vai acontecendo quando nosso ser real vem vindo devagarinho à tona e se oferece, vivo e feliz, cheio de graça, no aqui e agora de nosso cotidiano.

Sexualidade e espiritualidade caminham juntas, como nuances do mesmo jogo cósmico de aprendermos a amar a nós mesmos, quer trilhemos esta vida sós ou acompanhados, mas de todo jeito tendo que conhecer as suas regras.

 
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