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A amamentação
pode ser uma das fases mais significativas na vida do ser humano. É
através desta interação que se constrói o vínculo, o afeto e o amor tão
necessário para o nosso crescimento somático, desenvolvimento pessoal-espiritual
e o exercício de nossa plena maternidade/paternidade.
O toque
pele-a-pele, o calor, o olho-no-olho, o cheiro, os sons emitidos pelo
bebê, o prazer propiciado por este contato íntimo, por estas trocas...
são estímulos que fazem com que a mulher siga amamentando e cuidando do
seu filho, e ele sinta-se mais seguro e protegido física e emocionalmente.
O aleitamento é bom para a mulher
Não é só o bebê que se beneficia
das vantagens da alimentação ao seio. A mãe que dá de mamar tem uma melhor
recuperação pós-parto, seu útero e seu peso voltam mais rapidamente ao
normal. Está comprovado, que as mães que dão o peito, tem menos chance
de desenvolver depressão puerperal, menos probabilidade de ter câncer
de mama e ovário, menos chance de ter osteoporose e outras doenças.
A mulher que amamenta exclusivamente, em livre demanda (sem horários),
durante os primeiros seis meses de vida e encontra-se sem menstruar tem
apenas 2% de chance de engravidar novamente neste período.
Toda mulher é capaz.
As pressões culturais
e sociais sobre a nutriz, a forte publicidade de alimentos infantis, mamadeiras,
chupetas, intermediários de silicone (desnecessários), e profissionais
de saúde, que não conhecem técnicas de amamentação e que dirigem maternidades
que possuem berçários ao invés de alojamento conjunto, induzem as mulheres
ao desmame precoce. Converse com sua equipe perinatal sobre o melhor lugar
para você ter seu bebê, pergunte por exemplo: se o bebê vai ficar com
você logo ao nascer, se vai mamar na sala de parto e se o pai pode estar
junto.
Vocês precisam de muito apoio.
Ao contrário do que muita gente imagina,
a amamentação não é instintiva ou inata. Ela é uma habilidade, uma prática
que precisa ser aprendida e protegida. Por isto, é importante que durante
o pré-natal ela receba informação atualizada, que na maternidade não seja
dado ao recém nascido nenhuma chupeta ou chuquinha e que um profissional
com capacitação em manejo clínico da lactação lhe demonstre como o seu
filho deve abocanhar a aréola, como ele e você devem se posicionar para
que estes momentos sejam de prazer e não de dor.
Mais que um simples alimento.
O leite
de mãe é o melhor, o principal e inigualável nutriente para o lactente.
Pode ser dado exclusivamente, sem água, chá, vitaminas, até o 6º mês de
vida, porque contém todos os fatores indispensáveis para o crescimento
e desenvolvimento. Além de ser o alimento perfeito, o leite de peito,
possui glóbulos brancos e anticorpos que imunizam contra uma série de
doenças: infecções gastrointestinais, respiratórias, urinárias... bem
como, diabetes, alergias, cáries e problemas na arcada dentária... A cada
dia pesquisadores do mundo inteiro descobrem novos componentes do leite:
hormônios, fatores de crescimento, enzimas digestivas, fatores anti-inflamatórios...
Leite materno melhor que leite humano
!?
Quer dizer, cada mulher produz um leite específico para o seu filho. O
leite de uma mulher que teve um parto prematuro é diferente da gestante
que pariu em torno da 40ª semana de gestação. As mulheres de bebês prematuros
produzem um leite mais rico em proteínas, lipídeos e calorias e menor
de lactose. O leite materno contém substâncias exclusivas, como os ácidos
graxos, como o OMEGA 3, que é necessário para o desenvolvimento da retina
e do cérebro. Como conseqüência, os lactentes que mamaram ao seio possuem
uma maior acuidade visual e tem um maior QI.
“Dar
o peito ainda é uma tarefa das mulheres, mas amamentar no sentido mais
amplo deve ser compartilhado com homens, profissionais de saúde e todos
aqueles que de algum modo se mostram sensíveis à importância desta prática
e a entendem como um processo não instintivo que necessita de apoio e
orientação para que possa desenvolver-se corretamente.”
Dra. Luciana M. da Matta Souza
Dr.
Marcus Renato de Carvalho - Professor de
Puericultura da Faculdade de Medicina da UFRJ
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