A Arte Feminina da Amamentação !
 
Dr. Marcus Renato de Carvalho
 

A amamentação pode ser uma das fases mais significativas na vida do ser humano.   É através desta interação que se constrói o vínculo, o afeto e o amor tão necessário para o nosso crescimento somático, desenvolvimento pessoal-espiritual e o exercício de nossa plena maternidade/paternidade.

           

O toque pele-a-pele, o calor, o olho-no-olho, o cheiro, os sons emitidos pelo bebê, o prazer propiciado por este contato íntimo, por estas trocas... são estímulos que fazem com que a mulher siga amamentando e cuidando do seu filho, e ele sinta-se mais seguro e protegido física e emocionalmente.

O aleitamento é bom para a mulher

Não é só o bebê que se beneficia das vantagens da alimentação ao seio. A mãe que dá de mamar tem uma melhor recuperação pós-parto, seu útero e seu peso voltam mais rapidamente ao normal. Está comprovado, que as mães que dão o peito, tem menos chance de desenvolver depressão puerperal, menos probabilidade de ter câncer de mama e ovário, menos chance de ter osteoporose e outras doenças.     A mulher que amamenta exclusivamente, em livre demanda (sem horários), durante os primeiros seis meses de vida e encontra-se sem menstruar tem apenas 2% de chance de engravidar novamente neste período.

Toda mulher é capaz.
As pressões culturais e sociais sobre a nutriz, a forte publicidade de alimentos infantis, mamadeiras, chupetas, intermediários de silicone (desnecessários), e profissionais de saúde, que não conhecem técnicas de amamentação e que dirigem maternidades que possuem berçários ao invés de alojamento conjunto, induzem as mulheres ao desmame precoce. Converse com sua equipe perinatal sobre o melhor lugar para você ter seu bebê, pergunte por exemplo: se o bebê vai ficar com você logo ao nascer, se vai mamar na sala de parto e se o pai pode estar junto.

Vocês precisam de muito apoio.

Ao contrário do que muita gente imagina, a amamentação não é instintiva ou inata. Ela é uma habilidade, uma prática que precisa ser aprendida e protegida. Por isto, é importante que durante o pré-natal ela receba informação atualizada, que na maternidade não seja dado ao recém nascido nenhuma chupeta ou chuquinha e que um profissional com capacitação em manejo clínico da lactação lhe demonstre como o seu filho deve abocanhar a aréola, como ele e você devem se posicionar para que estes momentos sejam de prazer e não de dor.

Mais que um simples alimento.

O leite de mãe é o melhor, o principal e inigualável nutriente para o lactente.  Pode ser dado exclusivamente, sem água, chá, vitaminas, até o 6º mês de vida, porque contém todos os fatores indispensáveis para o crescimento e desenvolvimento. Além de ser o alimento perfeito, o leite de peito, possui glóbulos brancos e anticorpos que imunizam contra uma série de doenças: infecções gastrointestinais, respiratórias, urinárias... bem como, diabetes, alergias, cáries e problemas na arcada dentária... A cada dia pesquisadores do mundo inteiro descobrem novos componentes do leite: hormônios, fatores de crescimento, enzimas digestivas, fatores anti-inflamatórios...

Leite materno melhor que leite humano !?
Quer dizer, cada mulher produz um leite específico para o seu filho. O leite de uma mulher que teve um parto prematuro é diferente da gestante que pariu em torno da 40ª semana de gestação. As mulheres de bebês prematuros produzem um leite mais rico em proteínas, lipídeos e calorias e menor de lactose. O leite materno contém substâncias exclusivas, como os ácidos graxos, como o OMEGA 3, que é necessário para o desenvolvimento da retina e do cérebro.    Como conseqüência, os lactentes que mamaram ao seio possuem uma maior acuidade visual e tem um maior QI.

“Dar o peito ainda é uma tarefa das mulheres, mas amamentar no sentido mais amplo deve ser compartilhado com homens, profissionais de saúde e todos aqueles que de algum modo se mostram sensíveis à importância desta prática e a entendem como um processo não instintivo que necessita de apoio e orientação para que possa desenvolver-se corretamente.”  

Dra. Luciana M. da Matta Souza 

 

Dr. Marcus Renato de Carvalho - Professor de Puericultura da Faculdade de Medicina da UFRJ

 
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