A Medicina Floral na "ilegalidade"
 

João Andrada

 

Parodiando lamentáveis episódios do passado – do nosso passado recente e de outros tristes momentos da história da medicina – representantes de um órgão de classe, o Conselho Federal de Medicina, dão uma demonstração de autoritarismo conservador que já julgávamos sepultado: proíbem aos médicos o direito de exercer práticas, genericamente taxadas de Medicina Alternativa. Práticas que esses profissionais já vinham há anos exercendo com critério e sucesso. O Conselho com esta atitude mostrou despreparo: foi uma atitude inábil, intolerante e de ignorância. Inábil porque está indo de encontro a uma vertente do desenvolvimento da humanidade, de uma visão integral do ser humano; está na contra mão da história, defendendo uma medicina operacional. Estima-se que no Brasil, de um universo de aproximadamente 200 mil médicos, cerca de 40 mil estariam envolvidos com algum tipo de "prática alternativa". A procura pela população por estes métodos de tratamento é crescente, seja na rede pública, seja na medicina privada. Ao contrário do que diz o Conselho, as queixas contra estes métodos são vagas e inconsistentes, sobretudo quando praticados por médicos e incomparavelmente menos graves que as produzidas pela medicina oficial alopática. Foi uma atitude de intolerância porque tem o objetivo de excluir. Se o objetivo fosse, como demagogicamente foi algumas vezes colocado, promover a discussão, melhor seria, de fato, promover a discussão. Através de seminários e fóruns com a participação dos profissionais envolvidos com cada uma dessas práticas. Foi uma atitude de ignorância, porque o Conselho, sem sombra de dúvidas foi muito mal assessorado nesta matéria – a câmara setorial que estuda o assunto passou ao largo das essências florais, e ademais não divulgou em momento algum, nas publicações regulares do Conselho, o andamento e a orientação de seu trabalho; essas informações foram subtraídas aos maiores interessados – os médicos e seus clientes. Procurou-se elementos ou "provas científicas", que subsidiariam um julgamento, onde não há, e obviamente nada encontraram. Se não ignorassem, não proibiriam, não produziriam essa medida precipitada. Para os leigos, para o público – já que a portaria foi divulgada e debatida na mídia – fica parecendo que os doutos senhores estão legislando, em causa própria.

A Medicina Floral, o tratamento com as essências florais, é praticada no nosso meio, em grande escala há mais de uma década, com resultados sólidos e consistentes, que estão à disposição dos interessados. Os pacientes se propõe a depor, a testemunhar. Há o trabalho dos pesquisadores, há aplicação desse tratamento em penitenciárias, orfanatos, hospícios e asilos. Na rede pública de atendimento e em incontáveis consultórios particulares, inclusive em pequenos centros urbanos, em geral mais conservadores e mais resistentes às inovações. Existe ainda toda a experiência internacional em países muito mais desenvolvidos que o nosso. Em países com leis e critérios mais evoluídos, sobre o assunto. É evidente que esses resultados, casos e discussões não são publicados em revistas e periódicos médicos que se destinam à medicina alopática; essas publicações não os aceitam.

Em qualquer campo do conhecimento e das "ciências", os resultados consolidam uma prática, um método ou o invalidam. Mesmo que para ele ainda não haja explicação "científica". Em relação à Medicina Floral, há uma discussão adicional acerca de metodologia, uma vez que os critérios para trabalhos científicos da medicina tradicional a ela não se adaptam – para um novo paradigma,uma nova metodologia; é uma medicina individualizada, que lida com energia. Desta forma é física e não química; está afeta ao campo da biofísica e não ao da biologia molecular.

A eficácia terapeutica, consolida uma prática; a procura consecutiva por parte de uma determinada população, legitima.

No bojo da questão, ou da medida, há desdobramentos, estes sim de forte conotação ética, a mesma, que o Conselho quando invoca o código de ética, insiste em desconhecer. O primeiro e principal deles diz respeito à interrupção de certos tratamentos, o que poderia trazer consequências danosas para os pacientes, como piora de sintomas, desencadeamento de crises etc. Alguns não podem parar os seus tratamentos, muitos não devem e nenhum quer, ou melhor, os que querem não estavam esperando essa sugestão do Conselho para fazê-lo! Uma outra consequência perversa, é alijar a população de baixa renda, que depende do atendimento público de saúde, já tão carente, de uma possibilidade de tratamento eficiente e barato. Sim, muito barato! O tratamento com as essências florais não dá lucros para a indústria farmaceutica, para os grandes laboratórios.

Por fim um aspecto que atinge e indigna a todos pessoalmente, que é a tentativa de se obstruir o direito que as pessoas têm, de se tratar como querem, e com quem querem – com os profissionais médicos de sua confiança. Que fique bem claro, que não estamos lidando com práticas experimentais, novas e desconhecidas, mas sim com formas de tratamento que existem há tempo suficiente para ter suas bases bem estabelecidas . A Medicina Floral é muito mais antiga que a própria medicina "científica", hoje praticada e elevada à condição de "oficial".

A opção por um tratamento com as essências florais é de inteira e exclusiva responsabilidade do paciente e do médico por ele escolhido; somente a eles competem as atitudes que devam ser tomadas nesse âmbito. Praticando hoje a Medicina Floral, existem médicos com uma formação acadêmica e profissional irrepreensível, com uma conduta ética igualmente irrepreensível. Profissionais dignos, muitos dentre eles, professores universitários, e com todas as condições, se assim o pretendessem, de ter um lugar nesse Conselho. Esses profissionais são perfeitamente aptos a avaliar os resultados de seu trabalho e o fazem de maneira consciente. E não são, tampouco, portadores de alguma deformação de caráter que os faça querer, e conseguir, enganar todos os seus pacientes. Como se isso fosse possível ... Como se as pessoas não pudessem avaliar que um determinado tratamento a que se submetam, não esteja surtindo nenhum efeito. Talvez isso seja passível de acontecer com a medicina alopática; com os remédios florais, dadas as suas características, isso é impossível. Quando se tem alívio emocional, de sofrimentos, sabe-se.

Com essa medida, o Conselho de Medicina igualou por baixo. Bons e maus profissionais – como se esses só existissem entre aqueles que praticam as Medicinas Alternativas – boas e más práticas médicas – como se elas só existissem entre as "alternativas"- foram colocados num mesmo patamar, nivelados à insuficiência. Por outro lado, estimulou a clandestinidade. Ou será que os membros do conselho acreditam mesmo que as pessoas que obtiveram bons resultados com as essências florais vão parar de tomá-las, apenas porque foram colocadas na "ilegalidade"?

Não faltam atualmente, temas de relevância, aos quais o Conselho poderia e deveria dar a sua contribuição, envidando maiores esforços "para proteger e advertir a população",usando os meios de comunicação a que tem acesso para divulgar suas ações e promover de maneira saudável, sua influência; as condições da Saúde Pública, dos planos e seguros de saúde, a qualidade de certas escolas médicas, o currículo médico, o despudor da indústria de medicamentos e suas perniciosas influências, a questão da remuneração médica e condições de trabalho, a venda ilegal de medicamentos, as falsificações etc. etc etc.

Não faltam perguntas a serem repondidas...

Quantos remédios foram precipitadamente lançados no mercado e só depois se descobriu graves efeitos colaterais?Quantos bons medicamentos são retirados do mercado por não darem lucro? Quanto custa um ensaio clínico com um medicamento e como esses gastos são repassados? Quem financia esses ensaios? Quantas condutas médicas foram muito boas até que a prática provou o contrário? Quantas condutas experimentais são aplicadas?Quantas divergências existem entre os próprios médicos alopatas em relação a maneiras de se tratar uma doença? Porque curiosamente, no momento de maior desenvolvimento da medicina "científica" alopática, um número cada vez maior de pessoas se interessa por Medicina Floral e outra práticas "alternativas"? Porque o Conselho não acata uma resolução da Organização Mundial de Saúde, que reconhece a terapia com os florais como uma terapia válida? Existem muitas, muitas outras indagações...

A despeito de toda a defasagem, impropriedade e desrespeito dessa medida, os profissionais envolvidos com a terapia floral - clínicos, pesquisadores, distribuidores, farmaceuticos etc.- se dispõe a procurar o conselho, e assim tem sido feito, para apresentar a documentação "científica" que por si só, o conselho não alcançou recolher – aquilo que passou a ser exigido, sem antes ter sido solicitado... Para tanto, tem sido de inestimável valor o apoio dado por grupos de trabalho do exterior, como a Bush Flowers (Austrália), a Flower Essence Society (Califórnia-USA), a Homeopática Nelsons (Londres), que tem espontaneamente, enviado sugestões e material, que junto aos trabalhos nacionais vão subsidiar e fundamentar as discussões.

Isso, todavia, é apenas uma formalidade administrativa a ser cumprida – dar formato legal àquilo que por direito, já o é.

O "mundo" dos florais é sensível e solidário; está distante da visão estreita e da pequenez de espírito de indivíduos e instituições.

A Medicina Floral não mudou em nada: é consequente, segura e apresenta resultados sólidos. Não cura o incurável, não trata o intratável, não promete o que não pode cumprir. Cumpre o que pode, e muito bem. Tem um campo de atuação claramente delimitado e possibilidades nítidas e factíveis.

Contra fatos, não há argumentos.


João Andrada
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