| Saúde Oral e Seus Efeitos na Saúde Geral | ||
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Edgar Schmidt |
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No final do século passado, e no início deste século, alguns pesquisadores atribuíam, de uma maneira empírica, uma certa melhora nos casos de artrites de seus pacientes, a uma melhora nas condições orais do paciente. Em termos mais técnicos, após a extração de dentes com problemas ou infecções, ou seja, com a remoção do foco de infecção na cavidade oral, foi constatada uma melhora em locais distantes da cavidade oral, como nos casos de artrites das articulações do corpo humano. Este tipo de intervenção, óbviamente, não mereceu muita atenção da comunidade científica naquela época. Este conceito, agora completando seu centenário ficou adormecido por anos e anos. Com os avanços da epidemiologia médica, da biologia oral e das técnicas de biologia molecular, este conceitos foram ressucitados a partir do início da década de 90. O que parecia no passado ilógico e empírico, hoje em dia faz lógica, só que agora com respaldo científico. Sendo assim, não é inconcebível associar a boca ao corpo humano, e, por conseguinte, associar infecções presentes na boca, tais como a cárie dental e a as doenças periodontais (gengivais), à condições sistêmicas presentes no hospedeiro. O que o leigo, via de regra, precisa entender, é que os cuidados para com a saúde oral, vão além da cavidade oral. Se alguém está preocupado (a) em lidar com problemas periodontais e por conseguinte evitar a mobilidade do dente, ou eventual perda do dente, esta é sem dúvida uma preocupação real. No entanto, a simples preservação do dente com saúde pode ter implicações mais profundas na saúde geral daquele indivíduo. Mais de 400 espécies bacterianas habitam nossa cavidade oral. Algumas destas espécies podem habitar os nichos formados pelo encontro da gengiva, do dente, e do osso que circunda e suporta o dente. Quando algumas destas bactérias entram na corrente sanguínea, elas produzem uma série de fatores, enzimas, produtos metabólicos, etc, os quais podem induzir a agregação de plaquetas, assim como estimular reações inflamatórias e imunológicas no hospedeiro, mecanismos estes, os quais estão associados com o desenvolvimento de doenças cárdio-vasculares e de derrames cerebrais. Existe, na atualidade, um literatura extensa laboratorial, em animais, em humanos, e de estudos epidemiológicos, confirmando estas associacões entre doenças periodontais e doenças cárdio-vasculares. Na verdade, pacientes portadores de doenças periodontais tem duas vezes e tres vezes, respectivamente, o risco aumentado para desenvolver doenças cárdio-vasculares e derrames cerebrais quando comparados com pacientes com saúde periodontal. É importante frisar que nestes estudos foi levado em consideração todos os outros fatores de risco para as doenças cárdio-vasculares e derrames cerebrais. Outros estudos mais recentes evidenciaram que o controle das doenças periodontais é importante para o controle metabólico da diabetes. Da mesma forma, o controle das doenças periodontais em mães gestantes é fundamental para evitar o nascimento prematuro de seus futuros bebes. O que fazer então? É fundamental que as doenças periodontais sejam tratadas como infecções, ou seja, existe a necessidade de se diagnosticar a partir de uma amostra de placa dental o tipo de infecção presente na placa dental que se acumula abaixo das margens da gengiva, e por conseguinte eliminar esta placa com um antibiótico específico associado ao tratamento periodontal convencional. Outra possibilidade é a de se efetuar profilaxias rotineiras pelo profissional para se remover a placa dental acumulando na superfície do dente que nem sempre é visivel ao leigo. E, finalmente, efetuar procedimentos de higiene oral diários com o uso de escova de dente, creme dental e, principalmente, do fio dental. Sendo assim, uma vez que controla-se o acúmulo de bactérias nas superfícies dos dentes, entre os dentes e abaixo das margens gengivais, existe uma possibilidade menor destas bactérias entrarem na corrente sanguínea a provocarem reações sistêmicas no hospedeiro. Dr. Edgar
Schmidt Walter A.
Bretz |
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