Por que escolhi ser artista?

 
Ludmilla Reis Rolim
 

Poesia
Uma a uma as profecias vão se cumprindo e os sinais nos aproximam da materialidade do fim.
Há quanto tempo aguardávamos o Juízo Final? A derradeira batalha para a eterna libertação? Para voltar ao Paraíso Perdido?
Está acontecendo todos os dias, na cidade, no sertão, nas florestas, no fundo dos mares.
E o tal Jardim do Éden é este: o Planeta Terra. O jardim dos humanos enfim.
Dos humanos que se completam pela beleza da natureza e não precisam de mais que um pôr-do-sol pra saber da verdade.
Não existe milagre maior do que o amor que pode existir em nós.


Por que escolhi ser artista?

O que mais importa dos caminhos tortuosos que me levaram a optar por estudar teatro e direcionar meus esforços no sentido de ocupar com legitimidade este papel perante a sociedade, o de artista, é, realmente, a inteção que está por detrás disso. Por que esta escolha? Confesso que durante todo percurso na universidade (já estou no finalzinho), tive vontade de escrever alguma coisa a respeito disso. Sempre me via às voltas com este pensamento na cabeça ao redigir os trabalhos finais: Afinal, por que é que eu estou fazendo isso tudo? Eis que surgiu, na disciplina de psicologia, a excelente oportunidade de reponder a essa pergunta que considero de absoluta pertinência, e sobre a qual já refleti bastante. São pensamentos íntimos.

A realidade atual tem infinitas facetas, o que é real e o que é virtual confundem-se radicalmente. Entretanto há uma faceta desta realidade que se impõe sobre as outras, sendo esta, para maioria dos seres humanos do planeta terra, a única face da realidade conhecida, por isso mesmo para tantos, a única face real. Falo de uma realidade que todos conhecemos, e que está por todas as partes, sendo transmitida através das ondas de rádio, TV, e telefone celular. É todo esse aparato midiático que, controlado por uns poucos lunáticos, orienta toda população mundial a viver e trabalhar segundo uma lógica materialista, consumista e que visa apenas o acúmulo de riqueza. Essa realidade imposta tem se manifestado na atualidade como uma vertiginosa doença que acontece em escala planetária afetando dolorosamente humanos, animais e todo o eco-sistema terrestre.

Volto a afirmar o que sei intimamente: a realidade tem infinitas faces.

Para mim por exemplo, uma importante faceta da realidade humana, que também está em todas as partes, é o que poderia se chamar de metafísica. Coloco nesse verbete tudo que se pode sentir de sublime e divino, seus contrários, toda infinita possibilidade da imaginação, tudo que nos proporcione experimentar algo além dos nossos deliciosos, porém limitados cinco sentidos.

Busco manter sempre contato com esta realidade, é neste lugar que me fortaleço, e através dele que vou me curando dessa doença que também pegou em mim.

A tal realidade midiática (que, diga-se de passagem, é inventada novamente a cada dia) se impõe de tal maneira que experimentar uma outra realidade - a metafísica, por exemplo - exige um esforço tremendo, quase uma obstinação, ou então, uma doença mental.

Considero que todos estamos submetidos, de certa maneira, a essa prisão invisível.

Diante disso, escolhi trabalhar durante minha vida em algo que tenha como intenção primeiro, não contribuir para manutenção desse sistema de aprisionamento financeiro e psicológico em que vivemos. E segundo, algo que possa nos auxiliar, tanto quanto for possível, no processo de libertação e tomada de consciência coletiva para as possibilidades efetivas de se conviver, pautando nossas ações em valores como o amor, a compaixão, a humildade, a paz e a preservação da natureza. Olha que beleza!

Não me interessa que meu trabalho se justifique pelo quanto ele custa, mas pela transformação que ele empreende.

Entre outras opções de labuta que poderiam estar em harmonia com essa grandiosa intenção, a que mais se encaixava no meu perfil de aptidões era esta de artista.

 
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