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Resumo
Este trabalho foi desenvolvido no NUREKR I, Núcleo da Escola de
Enfermagem - Universidade Federal da Bahia e ITAI, para capacitação
de equipe multidisciplinar para atendimento a clientes com expectativa
de vida limitada, resultando em uma mudança de atitude frente à
morte a ao processo de morrer, próprio e do outro. As origens do
medo da morte são encontradas na história do próprio
desenvolvimento humano em suas quatro dimensões: Física,
Emocional, Intelectual ou Mental e Espiritual ou Intuitivo. Focaliza-se
aqui o medo irracional, impresso na dimensão física, onde
todo o conhecimento é sensorial. O sistema nervoso humano só
conclui seu desenvolvimento completo por volta dos sete anos, donde todo
medo sentido até esta fase estará registrado de forma visceral,
na memória celular e não elaborável intelectualmente.
Na dimensão emocional, o propósito é estabelecer
relacionamentos e a morte é sentida como rejeição
ou abandono. Na dimensão intelectual, o propósito é
lidar com as questões da vida de forma lógica e racional
e a morte é sentida como medo da entrega. Na dimensão espiritual,
o propósito é retornar à unidade e transcender o
ego; a morte aqui é sentida como medo de submeter-se ao desconhecido.
Só alinhado em todas as suas dimensões, o homem pode preparar-se
para encontrar a sua morte com dignidade.
Introdução
O NUREKR I - Núcleo de Renascimento Elisabeth Kübler-Ross
I, é um Convênio de Cooperação Técnico-Científica
entre a Universidade Federal da Bahia, através da Escola de Enfermagem
/ DEMCAE e a ITAI - Instituição Tribo Arco-Íris,
filantrópica, não governamental e sem fins lucrativos. O
objetivo principal deste Núcleo é integrar a assistência,
o ensino e a pesquisa no que concerne à Tanatologia. A filosofia
é promover a dignidade na vida e na morte a todas as pessoas que
assim o quiserem, entendendo a dignidade como o respeito a si mesmo, ao
outro e a todas as formas de vida. A principal meta é assegurar
um atendimento humanizado, despertando uma mudança de atitude em
relação à morte e ao processo de morrer, através
da assistência multidisciplinar em âmbito domiciliar, a clientes
com expectativa de vida limitada e seus familiares, segundo o modelo "Hospice".
Dentro da estrutura da ITAI, o NUREKR I é parte integrante do Núcleo
de Renascimento Elisabeth Kübler-Ross, que atenderá no modelo
"Hospice", nos âmbitos domiciliar, ambulatorial e hospitalar.
(Gestos Finais). Especificamente na área do ensino, o NUREKR I
busca promover a formação integral a multiqualificada pelo
trabalho em regime complementar à área de educação
formal, a profissionais, professores, estudantes e voluntários,
através de um programa de capacitação que consiste
em Workshops, Vivências, Oficinas, Seminários e Curso. Todos
os eventos são seqüenciais e interligados. O presente artigo
foi escrito à partir das aulas ministradas no Curso de Tanatologia
com o objetivo de promover subsídios teórico-práticos
na área do estudo da morte e do processo de morrer. Compreender
o medo da morte nos possibilita ter consciência de nossas perdas
diárias, facilitando assim sentir e elaborar estas perdas e dar
suporte ao próprio processo e ao do cliente; possibilita ainda
um atendimento mais humanizado e menos transferencial. Este medo não
elaborável só pode ser minimizado à partir da consciência
e aceitação da própria terminalidade em todas as
suas dimensões, tornando-nos capazes de lidar com o tão
doloroso processo de morrer e o momento da morte.
Dualidade e Apego
A história do desenvolvimento humano se dá em quatro dimensões:
física, emocional, intelectual e espiritual (KÜBLER-ROSS,
1983 e 1995). É no desenvolvimento destas dimensões que
se forma o medo visceral e irracional da morte. Pela intenção
e pelo desejo nascemos para esta realidade. (PIERRAKOS, 1990) Para entrar
nesta dimensão dual a alma precisa se apegar ao corpo, o que nos
traz já duas grandes realidades com as quais brigaremos grande
parte de nossa existência: a dualidade e o apego. (JOHNSON, 1996)
A dualidade se nos apresenta pelos opostos. Conhecemos o salgado e o doce,
o quente e o frio, o amor e o medo, a dor e o prazer, corpo e alma, natureza
e consciência, o bem e o mal... A espécie humana é
expressão de uma divisão em duas partes, anteriores ao nascimento,
que se manifesta em muitas formas. A relação dupla da criança
a um só tempo com o pai e a mãe é o símbolo
dessa divisão. Características masculinas e femininas, oriundas
desta relação, se alternarão em nossos comportamentos
e relacionamentos todo tempo. Para solucionar este conflito projetamos
e transferimos nossa dualidade primária, experienciada nos relacionamentos
parentais em praticamente todas as nossas atitudes. A depender da cultura
na qual estamos inseridos, atribuiremos a determinados valores o positivo
e o negativo. Nesta nossa abordagem, o positivo e o negativo da conclusão
de cada uma das fases do desenvolvimento não estão relacionados
a bom ou ruim mas sim ao resultado de uma vivência adequada ou inadequada
do indivíduo na sociedade. (JOHNSON, 1996) Quando escolhemos uma
das polaridades de qualquer de nossas dualidades, internamente tentamos
matar a outra e assim negamos parte de nós que, por não
morrer e ter a necessidade de ser ouvida e vista, fica minando nossas
intenções na tentativa de ser ouvida e vista e conseqüentemente
fica dando-nos experiências cada vez mais sofridas e dolorosas obrigando-nos
a vê-la. Em casos extremos, estas experiências podem até
nos levar à morte física. Fugimos destas nossas mortes diárias
pelo medo visceral da morte física, o que nos impede de viver nossa
vida no momento presente. (MAY, 1988) Apenas quando nos tornamos conscientes
de nossas transferências e projeções podemos escolher
fazer a entrega para efetuar a transformação com a responsabilidade
pelo nosso próprio processo e retornar ao Self. (JUNG, 1964) Apenas
quando nos tomamos conscientes das nossas pequenas mortes diárias,
em todas as suas dimensões, somos capazes de viver em plenitude
a felicidade que o cotidiano nos traz e caminhar com segurança
para nossa morte física. (KÜBLER-ROSS, 1978, GLACER e STRAUSS,
1965). O apego é a grande causa do sofrimento humano (ALMEIDA,
1995). Sofremos porque perdemos toda e qualquer coisa: sofremos porque
perdemos um brinquedo, um carro, uma casa, nossas imagens e ilusões,
pessoas queridas... Perdemos, perdemos e perdemos... e sofremos. Entramos
aqui num círculo vicioso de perda e dor: por medo da entrega, nos
apegamos ao conflito da dualidade, que nos é conhecido, reforçamos
o medo, reforçamos o apego, e reforçamos a dualidade...
Como aprendemos em nossa cultura, evitamos a dor, evitamos a perda e fugimos
da morte, ou pensamos fugir dela, o que nos mantém presos ao círculo.
(BROMBERG, 1994 e PIERRAKOS, 1990).
A Evolução do Desenvolvimento Humano nas Quatro Dimensões
A morte se revela a nós a todo instante e em todas as circunstâncias,
pois o seu registro está em nossas células, em nossas emoções,
em nosso racional. "Nós podemos até retardá-la,
mas não podemos escapar dela". (KÜBLER-ROSS, 1975) As
quatro dimensões da totalidade do ser humano se desenvolverão
na seguinte ordem: física, emocional, mental e espiritual. Estas
dimensões estão interligadas no processo contínuo
de nosso desenvolvimento e, claro, consideremos didática a rigidez
de sua cronologia. Quanto mais abrangente for o nosso auto-conhecimento,
mais ampliaremos nossa consciência (WILBER, 1977), tendendo a permanecer
em nosso centro: único lugar de onde teremos a chance de responder
de forma inteira às solicitações que o viver nos
traz no nosso dia a dia. (WALSH, 1980). Este ponto, além do cérebro
e além do ego, nos dá a oportunidade de cruzar o medo da
morte, alcançando a sua aceitação e vivendo em plenitude
a vida.
A Dimensão
Física
A dimensão física começa na concepção
e vai até os 6 meses de idade, período em que todo o registro
é sensorial. Qualquer sensação que ameace a vida
física é percebida como uma ameaça de morte, (GROF,
1988) e como neste estágio o desenvolvimento do nosso sistema nervoso
não está de todo formado (ESBÉRARD, 1980) esse medo
é registrado na memória celular e não elaborável
intelectualmente. É o medo visceral e irracional da morte escrito
em nós. O propósito básico ou seja o objetivo principal
desta fase é crescer com saúde e segurança. Esta
segurança é necessária para que a criança
possa contatar, conhecer e se expressar neste plano dual. A necessidade
básica desta fase é a sobrevivência. É nesta
fase que iremos observar os reflexos instintivos e automáticos
de auto-preservação como a reação do choro
quando sentimos fome. O medo básico desta fase é o de danos
que causem ameaça à vida física. Toda experiência
sensorial que seja percebida como ameaçadora é registrada
como uma experiência de morte. Fechando esta fase do desenvolvimento
e inseridos em uma dimensão dual, temos duas maneiras de concluí-la:
positivamente, quando integramos as experiências traumáticas
peri-natais e ameaçadoras da vida física, adequando-as à
realidade subsequente, tornamo-nos seguros; negativamente, quando congelamos
estas experiências, transformando-as em imagens que se repetirão
num continuum na realidade subsequente, tornamo-nos inseguros e instáveis.
(PIERRAKOS, 1990) As experiências peri-natais são, em geral,
traumáticas, ameaçam todo sistema de vida do bebê
e, por si só, bastam para registrar a nível celular o medo
da morte e suas implicações no inconsciente. O bebê
vem de um sistema ideal de sobrevida e nutrição e, já
ao nascer, é necessário que lute pelo ar inspirado para
sobreviver. (GROF, 1988). Somando-se a isto as experiências físicas
que ameaçam sua sobrevivência, o bebê experimentará
grandes traumas a partir da unidade simbiótica original com o organismo
materno e a partir de suas próprias experimentações.
A Dimensão Emocional
A dimensão emocional, segundo estágio do nosso desenvolvimento,
vai dos 6 meses aos 6 anos de idade. A vivência básica desta
fase é a experimentação dos sentimentos e das emoções.
A criança passa a reconhecer pai e mãe, a responder de forma
emocional dos estímulos externos, e passa a aceitar ou rejeitar,
circunstâncias em função do princípio do prazer
e da dor. (FREUD, 1976). O propósito desta fase é relacionar-se.
É nesta fase que a criança amplia o processo de relacionamento,
tão importante para o desenvolvimento do Ser, tornando-nos capazes
de partilhar informações, sentimentos e sensações.
A necessidade básica da criança é de ser amada e,
aos poucos, com este aprendizado, surge a necessidade de também
amar. As experiências de amor, distorcidas ou não, que experimentamos
nesta fase serão determinantes para nossa crença do que
é o amor. (PIERRAKOS, 1990). A depender da crença que formamos,
reconheceremos o amor ou não. Habitualmente crescemos aprendendo
um amor totalmente condicional, amo você se..., amo você se
você se comportar, não chorar, não fizer malcriação;
e desta forma ficamos todo o tempo tentando comprar, vender, trocar ou
barganhar amor. O medo básica desta fase é do abandono e
da rejeição. Por melhor, mais atenciosos e carinhosos que
tenham sido nossos pais, todos nós, em algum momento desta fase,
conhecemos a rejeição e o abandono. Dependendo do grau de
abandono, rejeição e suas circunstâncias, temos duas
formas de concluir esta fase: em uma conclusão positiva, quando
da integração, permissão e expressão dos sentimentos,
o resultado será o amor próprio, auto-estima, a habilidade
de dizer não e de suportar a frustração; caso contrário,
ocorre a auto-desqualificação. São registrados vários
mecanismos de defesa para suportar a "morte emocional", tais
como repressão, negação, introjeção
e projeção, entre outros. (CREMA, 1985). Registram-se, então,
congelamentos responsáveis pelos bloqueios emocionais, que irão
gerar nas estratégias de caráter as questões duais
que representarão nosso maior impedimento e, paradoxalmente, a
ponte para a nossa realização pessoal. (BRENNAN, 1987).
A Dimensão Intelectual ou Mental
A dimensão intelectual ou mental vai dos 6 anos à adolescência;
sua vivência básica é o desenvolvimento do pensamento
e da racionalidade. O sistema nervoso humano só conclui seu desenvolvimento
completo por volta dos 7 anos de idade. Todos os medos sentidos até
esta fase estarão registrados de forma visceral na memória
celular, e na forma de crenças na dimensão emocional, ambas
anteriores a este desenvolvimento. Daí falarmos em congelamentos,
não acessíveis pela simples elaboração intelectual,
e sim através de vivências regressivas, métodos nativos
de resgate de alma, hipnose, sessões de cura e outros. (BRENNAN,
1987 e ACHTERBERG, 1985). O propósito desta fase é compreender
a si mesmo e ao mundo. O homem é o único ser vivente capaz
de ser sujeito e objeto de uma ação. A racionalidade, diferente
da racionalização, esta um mecanismo psicológico
de defesa, é a capacidade do ser humano de analisar, situar, classificar,
julgar, decidir e discernir sobre fatos seus e do mundo. A necessidade
básica é conhecer e organizar a realidade para lidar com
as questões que a vida nos impõe. Neste momento da nossa
evolução é onde aprenderemos a estabelecer relações
entre nossas sensações, nossos sentimentos e nossas crenças
com a realidade das nossas circunstâncias. O medo básico
desta fase é o medo do desconhecido, do insondável e do
inquestionável, o medo da entrega. A integração das
experiências vividas nesta fase, a valorização da
estrutura racional do discernimento, do reconhecimento da nossa própria
capacidade intelectual nos leva a ser agentes transformadores da realidade.
A não integração das experiências desta fase
leva a inadequação na realidade, à inabilidade de
escolhas pertinentes e ao congelamento em falsas auto-imagens, mantendo
padrões de negatividade. (DONOVAN, 1993). Levamos muito tempo da
nossa vida para integrar estes três níveis: físico,
emocional e mental - o nível da personalidade humana. Apesar do
desenvolvimento da dimensão espiritual se dar à partir da
adolescência, só será possível nos dar conta
desta dimensão e continuar a desenvolvê-la conscientemente
se tivermos integrado as três dimensões anteriores. (WALSH
e VAUGHAN, 1980).
A Dimensão Espiritual
A última dimensão nesta cronologia, a espiritual, tem início
na adolescência e continua até momentos antes da morte física.
Uma vez integrados os três primeiros níveis do ser humano
e avançando no processo de individuação, alcançamos
uma dimensão além do ego e do inconsciente pessoal e entramos
no campo do Self ou Eu Real. Nesta direção, damos o enfoque
da espiritualidade e das necessidades transcendentais inerentes a todo
ser humano e diferentes do seu nível de religiosidade. (GROF, 1988).
A vivência básica desta fase é a vontade de saber
ouvir a voz interior, ainda que muitas vezes nos vários níveis
de inconsciente, com a propósito de alcançar a unidade.
Como viemos da unidade temos uma pulsão de buscar a unidade: buscamos
a nossa integração física cuidando da nossa alimentação,
do nosso ambiente, do nosso conforto; a nossa integração
emocional vivenciando e aceitando nossos sentimentos, as nossas rejeições
e abandonos; e nossa integração mental rescrevendo a nossa
própria história e transformando as nossas realidades. A
necessidade básica de retornar à unidade somente se realiza
quando nos tornamos co-criadores dos nossos próprios processos
e assumimos a responsabilidade pelas nossas próprias circunstâncias.
O medo desta dimensão é o de submeter-se. Entendemos submissão,
no contexto do nosso ego, como humilhação e sinais de fraqueza
e perda. Paradoxalmente quando somos donos do nosso ego é que podemos
abrir mão dele e submetê-lo ao nosso Eu Real. "Somente
quando você perder a sua vida, e ganhará...". (Lc 17,33
1973). Então nosso maior impedimento - as realidades cotidianas
e dramáticas do nosso ego e personalidade - se transforma na maior
potencialidade para nos introduzir numa realidade maior, aqui e agora.
Integrando as experiências da dimensão espiritual à
ampliação da consciência, alcançamos a paz
interior, o conhecimento do propósito da vida. Ao contrário,
quando não conseguimos integrar as três dimensões
interiores: física, emocional e mental, não alcançamos
nosso desenvolvimento na espiritual e ficamos desorientados e sem propósito.
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Evolução
do Desenvolvimento Humano nas Quatro Dimensões
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FÍSICO
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EMOCIONAL
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INTELECTUAL
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ESPIRITUAL
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Período
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da
concepção aos 6 meses
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dos
6 meses aos 6 anos
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dos
6 anos à adolescência
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da
adolescência em diante
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Vivência
|
sensorial
|
emoções
e sentimentos
|
pensamento
e racionalidade
|
saber
ouvir a voz interior
|
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Propósito
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crescer
com saúde e segurança
|
relacionar-se
|
compreender
a si mesmo e ao mundo
|
alcançar
a unidade
|
|
Necessidade
Básica
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sobreviver
|
ser
amado e amar
|
conhecer
e organizar a realidade
|
ser
co-criador da própria vida
|
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Medo
Básico
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danos
físicos
|
abandono
e rejeição
|
entregar-se
|
submeter-se
|
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Conclusão
Positiva
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segurança
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amor
próprio, auto-estima, habilidade de dizer não e de
suportar a frustração
|
transformar
a realidade
|
conhecimento
do propósito da vida e paz interior
|
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Conclusão
Negativa
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insegurança
|
auto-desqualificação
|
falsas
auto-imagens e inadequação à realidade
|
desorientação
e falta de propósito
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Conclusão
Conhecemos os medos em todas as dimensões do nosso desenvolvimento
e a experiência destes medos constituem-se a vivência de nossas
mortes diárias, tenhamos consciência disto ou não.
Assim, morremos a cada respiração, a cada apego, a cada
fuga, a cada perda, a cada dia quando dormimos, a cada crença que
abrimos mão... Na dimensão física percebemos e reagimos
instintivamente a estas perdas; na dimensão emocional sentimos
rejeitamos ou aceitamos nestas mesas perdas e na dimensão intelectual
alcançamos o conhecimento destas mortes diárias. E não
conseguimos transformá-las. A transformação só
é possível com o desenvolvimento espiritual, quando transcendemos
o conhecimento, apliando nossa consciência e alcançando a
sabedoria. Quanto mais conscientes estivemos de nossas mortes diárias,
mais nos preparamos para o momento da grande perda de tudo que colecionamos
e nutrimos nesta vida, de toda a nossa bagagem intelectual, todos os nossos
relacionamentos afetivos e do nosso corpo física. Lembrando que
o grande medo da dimensão espiritual é o de submeter-se,
podemos afirmar que só com muita fé poderemos nos submeter
ao momento da morte de forma suave e menos dolorosa. É bom lembrar
que não precisamos aguardar a proximidade da morte física
para entrarmos em contato com estes medos, muito pelo contrário,
se fizermos antes este contato através de nossas pequenas mortes
diárias, alcançaremos uma melhor qualidade de vida, enquanto
nos preparamos para a grande perda, a do corpo física. Morte e
vida são opostos na nossa realidade dualista e apenas nela. Morte
e vida são um único aspecto quando nos tornamos um Ser Inteiro,
integrando e vivenciando todas as dimensões do Ser.
NUREKR I e ITAI
Por acreditar na origem do medo da morte em suas quatro dimensões,
fundamos a ITAI como a filosofia de promover a dignidade na vida e na
morte a todas as pessoas que assim o quiserem, entendendo dignidade como
o respeito a si mesmo, ao outro e a todas as formas de vida; e adotamos
o "HOSPICE" como modelo assistencial a nível domiciliar,
ambulatorial e hospitalar. O NUREKR I, imbuído desta filosofia
e inserido em um contexto acadêmico, desenvolveu um programa de
capacitação visando uma mudança de atitude frente
a morte e ao processo de morrer, permitindo assim que seus profissionais,
ao receberem uma assistência na elaboração de suas
perdas pessoais sejam capazes de assistir ao processo de morrer e a morte
de seus clientes com menos transferências, aumentando assim a qualidade
de seus atendimentos. Neste processo de capacitação temos
a oportunidade de trabalhar as cinco fases que antecedem a morte, descritas
pela Dra. Elisabeth Kübler-Ross: NEGAÇÃO, RAIVA, BARGANHA,
DEPRESSÃO E ACEITAÇÃO (KÜBLER-ROSS, 1969), nas
quatro dimensões do ser humano: física, emocional, mental
e espiritual.
Referências Bibliográficas
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"A Bíblia de Jerusalém. São Paulo, Edições
Paulinas, 1973.
Autores:
Celso Fortes de Almeida Médico Psicoterapeuta, Presidente e fundador
da ITAI e da Rainbow Tribe Institution Foundation. Maria Fernanda C. Nascimento
Médica Psicoterapeuta, Counselor do Pathwork.
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